quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mesmo “falidas”, mCel e LAM pagam milhares de dólares aos Angolanos e migalhas para os Moçambicanos

Nas vésperas do concerto do músico Angolano, Matias Damásio, começaram a circular fotos nas redes sociais, fotos sobre a tabela remuneratória que regulou os "cachet" dos artistas que fazem parte do apelidado "Show do ano", com passagem pelas Cidades de Maputo (20) e Beira (27).

O propósito deste artigo não é uma mera comparação que irei a seguir fazer, mas, é preciso não se calar enquanto isso sucede. Ademais, não sou profissional da área e não percebo nada de marketing cultural, mas, escrevo como cidadão que se indigna com o que acontece na nossa música.

Fiquei estarrecido ao ver as disparidades existentes entre o artista principal (Matias Damásio) e os seus convidados. Ele (Damásio) vai receber 19x a mais do que um dos convidados, caso vertente os Djakas, ou seja, Damásio vai receber nada mais e nada menos que 20.000,00 Dólares, enquanto os Djakas vão levar 1.000 Dólares, porém, a justificativa de que Damásio trará a sua banda não procede, pois, o Stewart e a Mingas também actuam com banda.

Diante disto um pergunta se coloca: será mesmo que os artistas nacionais valem apenas isso ou não tiveram capacidade de negociação? Contudo, é preciso perceber aqui que o facto de Damásio ser a figura principal lhe possibilita cantar mais músicas que os outros e isso influencia nas contas finais.

Outro pormenor de realce nesta análise é que com esses valores, a realidade económica dos nossos artistas é de total desespero e os mesmos não tem opção de escolha, pois, uma vez que vivem da música, se recusarem um determinado valor pode surgir um outro artista que com muito menos vai actuar em nome do estômago e da sua sobrevivência.

O mais gravoso em tudo isso é ver que nessa digressão de Matias Damásio estão lá duas grandes empresas públicas que apoiam esse evento, no caso vertente mCel e LAM. Mesmo que essas duas empresas estejam aqui a oferecer serviços e não necessariamente dinheiro, temos que lembrar que as mesmas foram recentemente visitadas pelo Primeiro Ministro e concluiu-se que estavam de rastos e praticamente falidas. São empresas (públicas) que oferecem-nos serviços precários e de baixa qualidade, mas, conseguem promover o seu marketing com artistas internacionais, em detrimento dos nacionais.

É ainda preocupante a inércia e a já conhecida incapacidade do Ministério da Cultura (Turismo) que já mudou de nomes várias vezes de governo para governo, mas, até hoje se mostra de uma profunda letargia e incompetência para defender a nossa música.

Não sou pela defesa da “xenofobia” contra música estrangeira, mas, alguém deve arrefecer o apetite efervescente dos nossos promotores de fazem negócios de música que promovem a desigualdade entre os artistas.

1 comentário:

  1. Irmão ultimamente temos recebido muitas reclamações do público moçambicano com relação a musicalidade angolana, cá em angola gostamos imenso dos nosso irmãos moçambicanos e até ja estamos a tocar marrabenta, eu não qual foi o seu fundamento ou ordens de pesquisa para divulgar os montantes que cada cantor vai recebe ou recebeu neste caso, não sei se é do seu conhecimento que os músicos angolanos fazem shows em várias partes do globo (universo). cris bronw quanto deu o seu espetáculo em luanda recebeu cerca de 65000usd e os nos músicos receberam cerca de 45000usd á 55000usd, normalmente é assim que acontece quase em todos os lados, hoje em Portugal show mas caro é do Anselmo ralph, os músicos angolanos invadiram as rádios e televisões portuguesas, mas nunca nenhum cidadão português se levantou contra... hoje em dia todos os PALOP estão afectado com o fenómeno musical angolano, kizomba hoje é feito por moçambicanos, santomenses, portugueses etc, praticamente alguns cidadãos moçambicanos estão contra as entradas dos músicos angolanos no vosso país, ja vi várias publicações inclusive a do ministro da cultura de moz, não podemos esquecer da irmandade que existe entre nós, recentemente uma cantora moçambicana de nome neyma esteve cá em luanda, apesar de não ser tão conhecida o público ficou apaixonado por ela, simplesmente ela mostrou o seu t6alento e quer valorizar a vossa música, a lizha James vem constantemente pra luanda e tem recebido 8imenso carinho por parte do público!
    os músicos angolanos se esforçaram bastante para a nossa música ser consumida no mundo e hoje a nossa música já não é surpresa para ninguém , eu antes de amar a música nigeriana ou congolesa primeiro tenho que dar ouvido ao stwert sukuma, sabes porque? vamos deixar de criar contendas entre nós não pode houver intrigas culturais, somos todos irmãos e irmãos foram feitos pra conviverem juntos independentemente da posição musical de cada um, nós faremos os possíveis de ajudar a evoluir a música moçambicana. um abraço de quem vos curte bwéeeeeeee

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