quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O que comemorar nos 25 anos da Lei de Imprensa?

Há muitas datas que pelo momento difícil que vivemos actual momento tendem a perder alguma notoriedade. Todos os dias as capas dos jornais e os telejornais só dão destaque a crise político-militar e a crise económica. Na verdade a teoria sobre crises explica isso, em momento de convulsão social o destaque que a media dá alguns eventos ofusca o essencial.


Voltando ao meu título, tenho dois sentimentos que pairam em mim no dia 10 de Agosto (25 anos da Lei de Imprensa), por um lado é bom para o nosso país comemorar 25 anos daquele que para é um dos principais instrumentos legais deste país depois da Constituição da República.

A Lei de Imprensa permitiu, entre outras coisas, alargar o nosso campo de intervenção e liberdade de expressão usando vários meios de comunicação para o efeito. Um ganho não da pertença dos jornalistas, mas de toda uma sociedade.


Porém, no mesmo dia, não faltam motivos para “chorar” quanto ao tipo de jornalismo que hoje nos é apresentado pelos vários jornais e televisões deste país, um espaço em que o interesse público é dominado pelos privados. Onde a linguagem obscena ganhou espaço e a vida privada pouco importa.


Ademais, o preço que o povo moçambicano paga hoje para ter acesso a um jornal (semanário) é totalmente proibitivo. Usando a máxima: “Informação é poder”, posso concluir, sem sombra de dúvidas, que o grosso da população moçambicana não tem poder.


Passando pelo preço, encontramos os “jornalistas das capas”, aqueles que usam o poder de ser editores para promover banalidades que nada são dignas de ser chamadas de "notícia" e a isso junta-se a derrapagem do jornalismo investigativo em Moçambique, com jornalistas que pouco investigam e dão seguimento as suas notícias.

25 anos é idade suficiente para ganhar maturidade!

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